
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
A confirmação de Geraldo Alckmin como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a disputa de 2026 foi tratada pela ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, como um movimento de consolidação política do governo e da estratégia eleitoral do campo governista. Ao comentar a decisão, ela afirmou que a permanência de Alckmin reforça uma composição que já demonstrou capacidade de vitória e que, na avaliação dela, reúne condições para repetir o resultado na próxima eleição.
Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Gleisi disse que havia expectativa em torno do futuro político de Alckmin e afirmou que a decisão de Lula encerrou as especulações sobre a possibilidade de o vice disputar o governo de São Paulo. Segundo a ministra, a definição foi recebida de forma positiva dentro do governo. “Acho que foi muito importante. Já era algo que todo mundo estava ansioso para saber, como que seria o destino do Alckmin, se ele ficaria mesmo candidato a vice ou iria para São Paulo. E o presidente bateu o martelo que ele é o candidato a vice”, declarou.
Na entrevista, Gleisi procurou destacar não apenas o peso eleitoral de Alckmin, mas também sua atuação no exercício do cargo. Segundo ela, o vice-presidente acumulou credenciais políticas e administrativas ao longo do mandato, sobretudo à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “O vice-presidente Geraldo Alckmin tem cumprido um papel importante como vice-presidente, mas também como ministro do Desenvolvimento, da Indústria e Comércio”, disse. Em seguida, acrescentou: “Tem sido sempre muito responsável, leal. Enfim, todo mundo gosta muito dele”.
A defesa da permanência de Alckmin foi apresentada por Gleisi num contexto mais amplo de balanço do governo. Ao relatar a reunião ministerial realizada no último dia de sua passagem pela Secretaria de Relações Institucionais, ela disse que o encontro serviu para consolidar entre os integrantes do governo a narrativa sobre os resultados entregues pela administração Lula. Na avaliação da ministra, o peso político da chapa não pode ser dissociado do desempenho administrativo do governo ao longo do mandato.
Segundo Gleisi, a reunião teve o objetivo de alinhar ministros que deixam o governo para disputar as eleições e aqueles que permanecem na gestão, de modo que todos possam sustentar publicamente o legado acumulado até aqui. “Esse balanço do governo, ele queria que todos os ministros que estão saindo, que estão entrando, se apropriassem disso”, afirmou. Para ela, esse processo de apropriação política dos resultados é decisivo porque “as entregas que esse governo está fazendo” também funcionam como “instrumento de disputa política”.
A ministra sustentou que o atual mandato de Lula reúne um volume de realizações superior ao de administrações anteriores do próprio presidente e da ex-presidente Dilma Rousseff. “Esse é um governo que, do ponto de vista histórico, foi o que mais fez entregas”, declarou. De acordo com ela, os dados apresentados na reunião, especialmente pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, apontam resultados expressivos em áreas como políticas sociais, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
Ao final, a fala de Gleisi delineia uma estratégia clara: transformar a confirmação de Alckmin em sinal de previsibilidade política, de unidade governista e de continuidade de gestão. Nessa formulação, a repetição da chapa serve para reafirmar uma identidade eleitoral já testada, ao mesmo tempo em que busca apresentar o vice-presidente como parte integrante dos resultados que o governo pretende levar ao debate público em 2026.

