Eleições: cenário externo preocupa mais do que o "Rachadinha"

Abr 02, 2026

Por Bepe Damasco                                          

 

Foto: Gage Skidmore - Flickr

A Petrobras teve que aumentar o querosene de aviação em 54,8%. Mas, como o governo tem feito o possível para minimizar os efeitos alta do petróleo para o consumidor brasileiro, a estatal anunciou que as distribuidoras que atendem à aviação comercial poderão parcelar esse reajuste: 18% agora e o restante em até seis vezes a partir de julho. A decisão visa impedir um aumento exagerado no preço das passagens aéreas.

Além disso, o governo isentou o diesel da cobrança de PIS e Cofins e fechou um acordo com os estados para a redução do preço do diesel importado em R$ 1,20 por litro, sendo R$ 0,60 a parte da União e R$ 0,60 a cota dos estados.  O objetivo principal é frear o aumento dos preços dos alimentos em um momento em que a safra agrícola começa a ser transportada pelas estradas do país.

Estão em estudos também, segundo o recém-empossado ministro da Fazenda, Dario Durigan, medidas para barateamento do gás de cozinha. Não resta dúvida de que são ações meritórias de um governo comprometido com o bem-estar das pessoas e a estabilidade econômica.

No entanto, a luta para reduzir ao mínimo possível os efeitos da guerra do Oriente Médio sobre a economia tem óbvias limitações, caso a guerra no Oriente Médio se prolongue. Vamos lembrar que inflação em alta tem o condão de corroer a popularidade de qualquer governo. E tudo pode acontecer quando um criminosos de alta periculosidade preside a nação mais poderosa do planeta.

A forte e heroica reação iraniana tanto pode esticar a guerra por tempo indeterminado como fazer com que Trump resolva colocar um ponto final no conflito, até porque ver os índices de inflação subindo nos Estados Unidos, em pleno ano de eleição de meio de mandato, é algo preocupante mesmo para um lunátco fascista como ele. 

Um possível cenário de crise econômica em escala global pode ser um fator que crie dificuldades para a reeleição de Lula, pois afeta diretamente o humor do eleitorado. E o alvo principal é sempre quem está no poder, por mais que este governante adote medidas para abrandar a crise. 

Quanto ao enfrentamento com o senador Flávio Bolsonaro, embora seja inegável que a força política do extremismo de direita no Brasil aponte para uma eleição dura para os democratas, não creio que o filho do golpista-mor tenha estofo político e capacidade de agregar apoios suficientes para derrotar Lula. 

Também é preciso levar em conta a inevitável exploração durante a campanha de seu enorme telhado de vidro, como as "rachadinhas", imóveis milionários comprados de forma suspeita, loja de chocolate com resultados estranhos, além da nomeação em seu gabinete parlamentar da esposa e da mãe de um bandidaço do calibre de Adriano da Nóbrega, miliciano e chefe do escritório do crime.

Até agora, Flávio Bolsonaro tem se beneficiado do que os analistas chamam de "calcificação do eleitorado", com boa parte das pessoas mantendo-se firmes em suas opções políticas. Mas o filho de Bolsonaro já jogou na lata do lixo sua tentativa de posar como um versão moderada do fascismo nativo.

Na semana passada, durante conferência da extrema direita nos Estados Unidos, repetiu a ladainha antidemocrática e golpista do pai ao atacar os urnas eletrônicas e as instituições brasileiras e cobrar "monitoramento externo" das nossas eleições. Como membro de um família de traidores da pátria, finalizou seu discurso prometendo entregar as terras raras do Brasil para os norte-americanos.

Essa fala pegou muito mal até no ecossistema da direita brasileira, a ponto de o Estadão, conhecido porta-voz do conservadorismo paulista, afirmar em editorial que Flávio Bolsonaro é tão golpista como o pai. Isso afugenta não só os eleitores indecisos, mas também os ingênuos que chegaram a pensar que o filho não repetiria o pai.

Outro episódio animador para Lula foi o ataque do governo dos EUA ao nosso PIX, permitindo ao presidente brasileiro sair em defesa desse exitoso meio de pagamento e da soberania do país.

Vale destacar que o momento em que a popularidade da gestão de Lula mais cresceu foi quando reagiu ao tarifaço de Trump. E agora há uma constatação adicional importante: como Flávio Bolsonaro promete submeter seu governo a Trump, não é nenhum exagero dizer que o PIX, se depender do senador, corre sério risco. 

Aposto com seis meses de antecedência que Lula não perde a eleição para uma figura tão minúscula.

 

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