Lula intensifica agendas pró-indústria com destaque para caça supersônico,

Mar 26, 2026

Por Murilo da Silva, no Vermelho

Foto: Ricardo Stuckert

A indústria brasileira teve crescimento de apenas 0,6% em 2025, um desempenho abaixo do esperado provocado pelos inexplicáveis juros praticados no país. Em relação a 2024, a desaceleração foi evidente, já que o setor havia registrado 3,1% naquele ano. Para que em 2026 o cenário seja diferente e o setor produtivo volte a avançar com força, o presidente Lula tem colocado a indústria no centro de sua agenda, enquanto espera por cortes substanciais na Selic ao longo dos meses.

Nesta quarta-feira (25), Lula percorreu o interior de São Paulo em agendas pró-indústria, com ênfase nas áreas de Defesa, aeronáutica e ferroviária. O presidente prestigiou a apresentação do caça supersônico F-39E Gripen, esteve na fábrica da CRRC Brasil e visitou o Centro de Manutenção de Aeronaves da Latam.

Caça supersônico

Na cidade de Gavião Peixoto (SP), Lula esteve no Aeródromo da Embraer para a apresentação do caça F-39E Gripen, a primeira aeronave supersônica produzida no país. O modelo da empresa sueca Saab faz parte do programa Caça FX-2, iniciado em 2014 e que vai até 2033. Serão R$ 28,5 bilhões de investimentos feitos no período, compreendendo a produção dos caças e a transferência de tecnologia ao Brasil.

O presidente batizou o primeiro caça supersônico produzido pelo país, um momento classificado pelo governo como histórico. De acordo com o Planalto, o Brasil é o primeiro país da América Latina a dominar este tipo de tecnologia para a produção de aeronaves de alta complexidade.

“Hoje, o céu do Brasil é palco de um momento histórico. Voei escoltado pelo primeiro Gripen produzido no Brasil. Um momento muito simbólico, que mostra um país que acredita em si mesmo, investe em tecnologia e reafirma sua soberania”, disse Lula, nas redes sociais.

O programa Caça FX-2 visa reequipar a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) com apoio da Embraer. Ao todo, serão 36 aeronaves, sendo que 11 já foram produzidas na Suécia e entregues ao Brasil. Portanto, com o novo caça batizado nesta quarta, o país já conta com 12 unidades do Gripen. O contrato prevê que serão 15 caças produzidos na planta Embraer-Defesa em Gavião Peixoto.

Ferrovias

Depois de batizar o primeiro Gripen ‘brasileiro’, Lula foi a Araraquara (SP) para visitar a unidade industrial da CRRC Brasil, que está em implantação. A fábrica visa impulsionar a mobilidade nacional com novos investimentos em ferrovias.

Na ocasião, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes) assinou contratos no valor total de R$ 5,6 bilhões voltados para o estado de São Paulo.

A CRRC Brasil é fruto de uma parceria com a companhia chinesa CRRC, considerada a maior fornecedora mundial de equipamentos de transporte ferroviário.

A unidade fabril de Araraquara fornecerá componentes para a implantação do Trem Intercidades Eixo Norte que ligará São Paulo a Campinas, orçado em R$ 3,2 bilhões; e para a expansão da Linha 2 do Metrô de São Paulo, em R$ 2,4 bilhões.

“Se não fosse o Bndes, não tinha a Nova Indústria Brasil e não tinha muitos projetos de desenvolvimento que precisassem de financiamento. Nós estamos emprestando dinheiro aqui, inclusive do Fundo de Garantia. E por que nós estamos emprestando dinheiro? Porque é necessário emprestar para construir um ativo produtivo que vai dar rentabilidade para o Brasil, isso não é gasto”, disse Lula.

Latam

Para completar as agendas do dia pró-indústria, o presidente visitou o Latam MRO, o Centro de Manutenção de Aeronaves (Maintenance, Repair and Overhaul) da empresa aeroviária, localizada em São Carlos (SP). O centro completou 25 anos nesta quarta e está em expansão com investimento de R$ 78 milhões, com financiamento aprovado pelo Finep-Bndes.

A unidade tem importância estratégica para a empresa e para o país, pois é responsável por 60% das manutenções programadas de toda a frota da Latam, além de gerar 2 mil empregos. Entre 2023 e 2026, estima-se que a companhia tenha investido no Brasil US$ 4 bilhões.

Em setembro passado, a empresa firmou a compra de 24 aeronaves da Embraer, um passo histórico para a indústria nacional. Na visita de Lula, a Latam apresentou em primeira mão a pintura das novas aeronaves do modelo E195-E2.

Além dos aviões já contratados por US$ 2,1 bilhões, existe a possibilidade de ampliação do contrato para se chegar a 74 novas aeronaves.

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