E não é que o todo-poderoso delinquente está perdendo a guerra?

Mar 25, 2026

Por Bepe Damasco                                                                                                       

Foto: Reprodução

A maior potência militar do planeta, presidida por um criminoso de alta periculosidade, encarava a agressão ao Irã como um passeio no parque. Nos cálculos de Trump, o ataque era coisa para durar três ou quatro dias e logo o regime dos aiatolás desmoronaria, deixando ao seu alcance grandes reservas de petróleo. 

Inebriado pela investida contra a Venezuela, quando em poucas horas assassinou integrantes do corpo de segurança do presidente Maduro e o sequestrou junto com a primeira-dama, Trump desprezou uma lição histórica elementar: guerra não se ganha apenas com superioridade militar, por mais acachapante que ela seja.

Cada dia fica mais claro que os EUA escolheram o país errado para despejar suas toneladas de bombas. O Irã atual é a antiga Pérsia, uma civilização de mais de 5 mil anos.

Passados 27 dias desde o início do conflito, o governo do Irã permanece intacto. E a mídia ocidental não consegue mais esconder os estragos causados pelos mísseis iranianos em Tel Aviv e em várias cidades israelenses, furando com frequência o bloqueio do Domo de Ferro de Israel. 

Sem falar nos ataques bem-sucedidos do Irã às bases miliares estadunidenses localizadas em países do Oriente Médio aliados dos EUA. Não resta dúvida que o Irã vem sendo duramente castigado, mas sua reação acima do esperado é o fato a ser ressaltado nessa guerra.

Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz., por onde passam 20% do petróleo mundial, foi uma tacada de mestre.

Nem foi preciso cumprir a ameaça de bombardear os navios que desafiassem a proibição, pois o receio dos países de verem seus navios voando pelos ares fez com que evitassem navegar ali. Para piorar, as seguradoras não bancam este risco, expondo os eventuais aventureiros a vultosos prejuízos.

Como Trump se sente o xerife do mundo e busca implantar uma espécie de ditadura global, ignorou o potencial e a dimensão da resistência.

O aumento exponencial do preço do petróleo, que logo terá impacto nos alimentos e bens de consumo, podendo levar a economia mundial a uma recessão, submete Trump a um isolamento político sem precedentes para um presidente da nação mais poderosa da Terra. 

Nem os históricos aliados do bloco europeu querem saber da guerra e vêm negando pedidos de ajuda do presidente norte-americano, como o apelo pela desobstrução do Estreito de Ormuz. Não por acaso quem tem feito sinalizações de paz é o próprio Trump, que são negadas pelo Irã, que só aceita conversar quando o país deixar de ser atacado. 

No plano interno, a popularidade de Trump despenca na proporção da condenação à guerra, majoritária entre os americanos. Vamos lembrar que em novembro acontecem as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA.

Oxalá seja o começo do fim do poder do sujeito que encarna a maior ameaça à humanidade desde o pós-guerra.

 

 

 

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