Irã amplia ataques a bases dos EUA e reafirma controle sobre Ormuz

Jul 18, 2026

Por Lucas Toth, no Vermelho

Lançador de mísseis da Guarda Revolucionária do Irã em imagem divulgada pelas forças armadas iranianas. Foto: Reprodução

Em resposta à sétima noite consecutiva de bombardeios norte-americanos, o Irã anunciou neste sábado (18) ataques contra bases dos Estados Unidos no Kuwait e reafirmou que não abrirá mão do controle sobre o Estreito de Ormuz.

A escalada ocorre após a sétima noite consecutiva de bombardeios dos EUA contra alvos militares e de infraestrutura iranianos.

Em comunicado, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) informou que destruiu um centro de apoio às tropas dos EUA na base de Camp Arifjan e um radar da base aérea de Ali Al Salem, no Kuwait.

Segundo Teerã, os ataques fazem parte da 18ª fase da operação Nasr 2, conduzida com drones e mísseis. A Reuters informou que as autoridades kuwaitianas confirmaram ataques ao país, incluindo danos a uma instalação de dessalinização e a uma unidade petrolífera, mas disseram ter interceptado parte dos mísseis e drones iranianos.

O CGRI justificou a ofensiva como resposta aos ataques norte-americanos contra pontes, usinas de energia, instalações logísticas e outras infraestruturas civis iranianas. A Guarda Revolucionária acusou Washington de romper os compromissos assumidos durante as negociações e classificou os bombardeios como “crimes de guerra”.

Em outro trecho do comunicado, advertiu que países que sediam bases militares dos Estados Unidos também poderão sofrer novas ações caso continuem servindo de plataforma para operações militares contra o Irã.

Além do Kuwait, houve relatos de ataques iranianos contra instalações utilizadas por militares norte-americanos no Bahrein e na Jordânia. Fontes ouvidas pela agência também afirmaram que alarmes foram acionados na Arábia Saudita após um possível ataque contra a base aérea Príncipe Sultão, embora Riad não tenha confirmado oficialmente o episódio.

Em meio à intensificação dos combates, Teerã voltou a afirmar que não abrirá mão do controle sobre o Estreito de Ormuz.

O porta-voz das Forças Armadas iranianas, general Mohamad Akraminia, declarou que “as Forças Armadas não cederão nem um centímetro sobre o Estreito de Ormuz” e que a passagem “jamais será reaberta por meio da guerra ou da agressão dos Estados Unidos”.

O governo iraniano sustenta que restringe a navegação por razões de segurança, enquanto Washington afirma manter um bloqueio naval e diz que a rota permanece aberta aos demais países.

Dados da empresa Kpler indicam que apenas oito navios cruzaram Ormuz na última quinta-feira, em comperação com mais de cem por dia antes da retomada da guerra, em fevereiro. Especialistas do setor marítimo afirmam que o risco de minas e ataques tornou a travessia extremamente perigosa, elevando as preocupações sobre o abastecimento global de petróleo.

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