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A guerra de agressão conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em uma nova fase nos últimos dias ao atingir diretamente o setor energético, provocando uma disparada nos preços do petróleo e ampliando o risco de um choque global de oferta.
Após ataques dos Estados Unidos e Israel a infraestruturas estratégicas e a resposta iraniana contra complexos de gás e rotas marítimas no Catar e outros países do Golfo, o barril já supera US$ 115 e pode chegar a US$ 180 nas próximas semanas, em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz e à interrupção de fluxos que concentram cerca de um quinto da energia mundial.
A escalada ocorre após Washington apostar em uma operação de rápida resolução, avaliação que não se confirmou diante da capacidade de resposta iraniana, prolongando os combates por cerca de três semanas e sem qualquer perspectiva imediata de encerramento.
A guerra de agressão conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã entrou em uma nova fase nos últimos dias ao atingir diretamente o setor energético, provocando uma disparada nos preços do petróleo e ampliando o risco de um choque global de oferta.
Após ataques dos Estados Unidos e Israel a infraestruturas estratégicas e a resposta iraniana contra complexos de gás e rotas marítimas no Catar e outros países do Golfo, o barril já supera US$ 115 e pode chegar a US$ 180 nas próximas semanas, em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz e à interrupção de fluxos que concentram cerca de um quinto da energia mundial.
Na quarta-feira (18), Israel atingiu o campo de gás natural South Pars, principal reserva do Irã, e, em resposta, Teerã lançou ataques contra o complexo industrial de Ras Laffan, no Catar — responsável por cerca de um quinto da produção global de gás natural liquefeito — além de atingir instalações energéticas sauditas em Yanbu, ponto estratégico de escoamento que contorna o Estreito de Ormuz.
Paralelamente, entre quarta (18) e quinta-feira (19), o Irã intensificou ações contra embarcações no Golfo, ampliando uma sequência de ataques que reduziu drasticamente o tráfego no estreito, por onde circula aproximadamente 20% do petróleo mundial.
A pressão sobre rotas marítimas, somada aos bombardeios contra instalações, passou a comprometer diretamente o fluxo de energia do Oriente Médio, com efeitos imediatos nos mercados internacionais.
Os ataques mais recentes atingiram estruturas críticas para o abastecimento global, forçando a paralisação de campos de petróleo e gás e elevando o risco de interrupções prolongadas.
Ao longo da semana, companhias aéreas e empresas de transporte marítimo passaram a se preparar para escassez de combustível, enquanto governos e agentes do mercado monitoram a possibilidade de novos ataques a polos energéticos, em um cenário que tende a aprofundar a instabilidade na região.
A dimensão da crise levou a Agência Internacional de Energia (AIE) a classificá-la como “o maior choque energético da história”, com impacto direto sobre cerca de um quinto da oferta global de petróleo e gás.
Segundo o diretor da entidade, Fatih Birol, o volume de gás interrompido já supera em dobro o registrado na crise europeia de 2022, no início da guerra da Ucrânia, enquanto a perda de petróleo é maior do que nos choques dos anos 1970, que desencadearam recessões e racionamento em escala global.
Birol alertou ainda que, mesmo com a interrupção dos ataques, a recuperação da infraestrutura energética não será imediata.
“Levará seis meses para alguns [campos] voltarem a operar, outros muito mais”, afirmou, acrescentando que a continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz mantém “artérias vitais” do sistema energético global paralisadas.
Nos mercados, a escalada já se traduz em uma rápida deterioração das condições de oferta.
O petróleo acumula alta de cerca de 50% desde o início da guerra, quando o barril girava em torno de US$ 70, com projeções que indicam uma trajetória de elevação contínua nas próximas semanas.
Autoridades sauditas e operadores do mercado trabalham com cenários que vão de US$ 138 a US$ 150 no curto prazo, podendo alcançar US$ 165 e até US$ 180 caso as interrupções persistam, enquanto analistas consideram que valores próximos a US$ 200 “não estão fora de questão” em 2026.
Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com uma escassez física de energia, à medida que estoques são consumidos e campos permanecem fechados ou danificados.
“A ação mais importante é a retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz”, afirmou Birol, ressaltando que não há substituição imediata para o petróleo e o gás provenientes do Golfo.
Os efeitos já se espalham pela economia global. O preço do gás natural na Europa mais que dobrou desde o início da guerra, enquanto o combustível de aviação registrou aumentos semelhantes, pressionando diretamente setores como transporte e logística.
Executivos de grandes companhias aéreas dos Estados Unidos informaram aumento de cerca de US$ 400 milhões em custos apenas em março, e empresas já começaram a reduzir operações diante da alta dos combustíveis.
O encarecimento da energia também eleva a pressão inflacionária e reacende temores de recessão.
Bancos centrais têm sinalizado cautela diante do cenário, e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, dos Estados Unidos, afirmou que custos mais altos de energia tendem a “elevar a inflação” e “reduzir o crescimento”.
Em paralelo, governos adotam medidas emergenciais, como cortes de impostos sobre combustíveis e até racionamento em alguns países.
No cotidiano, o impacto já é perceptível. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina se aproxima de US$ 4 por galão, enquanto o diesel ultrapassa US$ 5, encarecendo o transporte de mercadorias e pressionando o custo de vida.

