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Lula apoia Bachelet à ONU e reforça ofensiva por liderança feminina

Fev 02, 2026

Por Cezar Xavier, no Vermelho                                                                             

Chile, Brasil e México apoiam Michelle Bachelet como nova secretária-geral da ONU

 

 

 

Ao declarar apoio à candidatura de Michelle Bachelet à Secretaria-Geral da ONU, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reposiciona o Brasil no debate sobre o futuro do multilateralismo. A manifestação pública, feita nesta segunda-feira (2), vai além do endosso pessoal: insere o país numa articulação política que combina representatividade de gênero, liderança latino-americana e reforma do sistema internacional.

“É hora de a organização finalmente ser comandada por uma mulher”, escreveu Lula, ao justificar o apoio à ex-presidente chilena, num momento em que a ONU enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de responder a conflitos armados, crises humanitárias e retrocessos democráticos.

A força simbólica de uma mulher à frente da ONU

A defesa de uma mulher no comando da ONU tem peso histórico. Em quase 80 anos de existência, a organização jamais foi liderada por uma mulher, apesar de elas representarem mais da metade da população mundial. Lula já havia levantado essa crítica em novembro de 2025, durante a cúpula Celac–UE, e agora a transforma em ação concreta.

No discurso presidencial, Bachelet surge como síntese entre experiência institucional e agenda de direitos, atributos considerados estratégicos num cenário internacional marcado por polarização, guerras prolongadas e enfraquecimento de consensos multilaterais.

Trajetória que dialoga com a crise do multilateralismo

Michelle Bachelet reúne um currículo raro no sistema internacional. Duas vezes presidente do Chile, foi também ministra da Defesa e da Saúde — um percurso que lhe conferiu trânsito tanto na política doméstica quanto na diplomacia global. Na ONU, teve papel central na criação e consolidação da ONU Mulheres, como sua primeira diretora-executiva, institucionalizando a pauta da igualdade de gênero.

Posteriormente, como alta comissária da ONU para os Direitos Humanos (2018–2022), atuou na denúncia de violações, na proteção de populações vulneráveis e no avanço do reconhecimento do direito humano a um meio ambiente limpo e sustentável. Para Lula, essa combinação de pragmatismo político e compromisso normativo credencia Bachelet a liderar a organização em tempos de crise.

América Latina em bloco — e em disputa

O apoio do Brasil soma-se aos endossos do Chile, governado por Gabriel Boric, e do México, sob a presidência de Claudia Sheinbaum, formando um eixo latino-americano em torno da candidatura. Boric afirmou ter “orgulho” de oficializar a inscrição de Bachelet, destacando o peso simbólico da região no cenário global.

Ainda assim, a disputa não é consensual. Bachelet concorre com ao menos outros dois latino-americanos: Rebeca Grynspan, da Costa Rica, atual secretária-geral da Unctad, e Rafael Grossi, argentino, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O cenário indica que a América Latina pode ganhar protagonismo — mas também corre o risco de fragmentar forças.

Reforma da ONU e críticas à governança global

O apoio de Lula ocorre em paralelo à sua defesa aberta por reformas estruturais na ONU, incluindo o questionamento do direito de veto no Conselho de Segurança. O presidente brasileiro tem criticado a atuação do organismo em conflitos como os da Ucrânia e da Faixa de Gaza, apontando limites de uma governança internacional desenhada no pós-guerra.

A sucessão de António Guterres, que deixa o cargo em 31 de dezembro após uma década à frente da ONU, acontece no que analistas classificam como a maior crise de legitimidade da organização desde sua fundação. A proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de criar um órgão paralelo — o chamado “Conselho da Paz” — é vista por diplomatas como tentativa de esvaziamento do sistema multilateral.

Mais que um nome, uma sinalização

Ao apoiar Michelle Bachelet, Lula não apenas escolhe uma candidata: sinaliza um projeto político para a ONU. Um projeto que articula liderança feminina, voz do Sul Global e defesa do multilateralismo num mundo cada vez mais fragmentado. O desfecho da disputa ainda é incerto, mas o gesto do Brasil reposiciona o país no tabuleiro diplomático e recoloca a América Latina no centro do debate sobre o futuro das Nações Unidas.

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