
Scaloni e Luís De La Fuente disputam a final da Copa do Mundo Arte ESPN (Getty Images)
Poucas finais de Copa do Mundo carregam uma história tão peculiar fora das quatro linhas quanto Argentina x Espanha, no próximo domingo (19), em duelo com transmissão da CazéTV, disponível sem custo adicional no Disney+. Antes de se enfrentarem pelo título mundial, Lionel Scaloni e Luis de la Fuente dividiram uma sala de aula, um como aluno, outro como professor.
A relação dos dois teve início em 2017, quando Scaloni, recém-aposentado dos gramados, decidiu iniciar sua formação como treinador na escola da Federação Espanhola de Futebol, em Las Rozas. Entre os instrutores do curso estava justamente De la Fuente, então técnico das categorias de base da Espanha. Uma década depois, mentor e discípulo se encaram no maior palco do planeta.
O argentino já vivia na Espanha havia muitos anos. Casado com uma espanhola, estabeleceu residência em Mallorca após encerrar a carreira como jogador e escolheu o país para dar os primeiros passos na nova profissão. Foi ali que conheceu mais de perto aquele que viria a se tornar um amigo.
De professor a amigo
O vínculo ultrapassou a relação entre professor e aluno. Com o passar dos anos, os dois mantiveram contato e desenvolveram uma amizade baseada na troca de ideias sobre futebol.
Na entrevista coletiva após a classificação da Argentina sobre a Inglaterra, Scaloni elogiou o trabalho do espanhol, mas fez um alerta.
“Lembro de um fórum de treinadores no Qatar, tive uma boa conversa com ele. Colocou a sua seleção de uma maneira brilhante. Eu vivo na Espanha, tenho família espanhola. Domingo peço desculpas e vamos tentar ganhar. Tenho respeito máximo. Será uma linda partida de futebol”, avisou o técnico da Albiceleste.
Antes mesmo da semifinal, De la Fuente também admitiu que torcia por um reencontro na decisão.
O treinador espanhol afirmou que seria "especial" disputar a final contra um amigo e destacou a trajetória construída por Scaloni desde os tempos em que frequentava suas aulas.
Caminhos parecidos
Apesar de percursos diferentes, os dois alcançaram o auge praticamente no mesmo período.
O ex-lateral assumiu a Argentina em 2018, após um ciclo acidentado com Jorge Sampaoli. Apesar de ter perdido em sua primeira competição como técnico, na ocasião a Copa América de 2019 no Brasil, o treinador mudou o patamar da Albiceleste, carente de grandes conquistas desde 1993.
Durante a pandemia, a Conmebol organizou a Copa América 2021 em solo brasileiro. O torneio marcou a virada de chave para os argentinos, que venceram o time de Tite na final e encerraram jejum de 28 anos.
Dois anos depois, o bom trabalho do Scaloni alcançou sua maior glória, a Copa do Mundo de 2022, no Qatar. O ciclo para o mundial de 2026 contou com mais troféus, a Finalíssima de 2022 diante da Itália e a Copa América de 2024, contra a Colômbia, preencheram o currículo do atual finalista.
Do outro lado, De la Fuente construiu praticamente toda a carreira dentro da Federação Espanhola. Com pouco sucesso em clubes como Athletic Bilbao, onde foi ídolo como atleta e Alavés, o basco construiu uma carreira promissora na Federação Espanhola.
Sua trajetória percorreu as equipes sub-19, sub-21 e olímpica, esta última medalhista de prata nos Jogos de Tóquio, em 2021, após a derrota para o Brasil na final. Ao longo desse ciclo, ajudou a lapidar boa parte da geração que hoje integra a Fúria, casos de Rodri, Fabián Ruiz, Mikel Merino, Unai Simón, Cucurella e Pedro Porro.
Com a saída de Luis Enríque do comando da seleção em 2022, o técnico foi promovido ao time profissional e em pouco tempo conquistou a Nations League em 2023 e a Eurocopa em 2024. Nesta edição do mundial, lidera a melhor defesa da copa com apenas um gol sofrido em 7 jogos.
Amizade fica para depois
Se fora de campo o respeito é evidente, dentro dele não haverá espaço para concessões.
A Argentina busca defender o título conquistado no Qatar e repetir um feito que nenhuma seleção alcança desde o Brasil, bicampeão em 1958 e 1962. Já a Espanha tenta levantar sua segunda Copa do Mundo e coroar a geração que já conquistou a Europa.
Por 90 minutos, ou talvez 120, professor e aluno deixarão a amizade de lado. Depois do apito final, independentemente do campeão, a história que começou em uma sala de aula ganhará mais um capítulo, desta vez no maior palco do futebol mundial.

